sábado, 28 de fevereiro de 2009

La Vie III

a cama molhada o sons tristes a fumaça do cigarro um abraço solitário uma dor nocoração.

La vie II

deitada na cama, chorando sofrendo, as lágrimas molhando a fronha, os lençóis. sem força nem vontade. sem nada. sem nada.

La Vie I

deitada na nossa cama, de costas pra mim, chorando baixinho, sofrendo, pensando nas coisas horríveis que aconteceram, que acontecem, que vivemos. por que? difícil Perdoar.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O fim!


Era o fim, sempre o fim. Cansara-se daquilo há muito, mas não podia evitar. O fim sempre estava ali, logo após tudo, tão óbvio, tão fatal. O fim o devorava, um pouco e sempre todas as vezes que sentia o seu gosto. Isto era o que havia de mais estranho em sua vida, o inevitável fim.
m

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Lançamento do caderno "De víveres e haveres"



Um ano após a forja das palavras, eis que surge para os primeiros tabelionatários o resultado de seus esforços. Segue o convite para o lançamento do caderno "De víveres e haveres", realizado por forjadores de palavras de Tubarão e organizado pelo mestre Dennis Radünz, em manhãs e tardes mornas de novembro e dezembro de 2007.
Aos novos tabelionatários, não se esqueçam que ano que vem serão vocês.

Escritores inéditos lançam livro no SESC

11 escritores tubaronenses deixam de ser anônimos para terem suas obras publicadas, na quarta-feira, dia 17 de dezembro. Eles tiveram seus contos impressos no caderno "De Víveres e Haveres", fruto de uma oficina de escritores realizada pelo SESC anualmente. O lançamento acontece no restaurante do SESC, às 20h.

Para lançar a obra, os novatos autores organizaram um Sarau Poético. Nele, haverá apresentações musicais, performances teatrais e declamação de poemas. A entrada é franca e a participação no Sarau é também aberta ao público. Desse modo, quem se dirigir ao restaurante do SESC na próxima quarta-feira pode, sem nenhum problema, declamar seu poema ou cantar a música que compôs.

"De Víveres e Haveres" foi organizado pelo escritor Dennis Radünz, quem ministrou o curso de escritores. O trabalho durou três fins-de-semana, nos quais os participantes tiveram contato com o universo literário, conhecendo a teoria daquilo que eles deveriam pôr em prática. O resultado agradou aos participantes. "Fiquei muito feliz quando vi o meu conto impresso no livro. Dá a sensação do dever cumprido, a gente sente que valeu a pena todo o trabalho", conta Vivian Sipriano, estudante de Jornalismo, que participou do curso de escritores realizado no ano passado.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O Princípio









não se sabe ao certo se é o princípio ou se é o fim. apenas surge inexplicavelmente em algum lugar um ou mais pontos no escuro.
o efeito desse acontecimento, se pararmos para pensar, é extraordinário. um escuro total é invadido por um ponto branco, ou vermelho ou amarelado... depois outro e outro. estrelas pixeladas no abstrato dessa não-cor. do suposto nada, algumas linhas se desenham e formam o infinito. podemos imaginar as formas, as abstrações desses pixels. podemos imaginar o que o fez existir. uma explosão, uma reação qualquer? algo leve, algo pesado, podemos imaginar até uma tesoura perfurando o preto, uma lona se desfazendo, um plástico derretendo. podemos dizer que atrás do escuro as imagens sempre existiram. nunca nasceram.
na verdade, o evento seria maravilhoso, mas não acompanhamos os eventos diários. a maravilha se repete em cada amanhecer, mas não há tempo. todos os dias o relógio toca e nos levantamos a contragosto. café, cigarro, celular, chaves, ponto. ali passamos nossas oito horas e voltamos pra casa cansados demais para ler um livro ou assistir a um filme. cansados demais para transar ou para se incomodar em saber como os dias nascem e as noites morrem.


In: só se for mais





quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Aurélio botou fogo na árvore
atrás de casa, frutífera
fogo era tempo, o tronco passado
ausência que o traçado consumia
a pele do fruto abrindo, expondo a polpa víscera,
e a membrana cedendo vida, carvão
ruína úmida de planta, brilho extinto de folhas,
de ramo precipício
plana fuligem, ninguém respira o ar da casa
raiz hospedada no trecho, no solo mudo,
sem comunhão
memória de um sol deposto
arde aquilo que era
enquanto queima no pátio,
pendurado na árvore acessa
se despe dos olhos de Pai,
sem alvo, sem ar

Douglas König de Oliveira
Joana morreu
nossa vizinha
sigo atento
este afeto urbano
de pertencer a mesma quadra
e compor a sala
de velhas cadeiras
os golpes que contam
que enfeitam
num canto agoureiro
coro de corvos
de plenas fraturas
trinados de um rasgo certeiro
retrato de açougue
estampada sorte
em que se enrola os peixes

era freqüente
em nossa casa seu pálido e estreito
revestimento
torcido alicerce
e cascas de cal
represa expressão pela
cicatriz acre, esquerda
órbitas capturadas
paralisia funda, acesa

lábios retesos
barram a saliva azeda
a pele rígida, réptil
vestida de pó
tarde lenta
de impressões famintas
os ossos dos pés
estalam ocos
nos sons das tampas
pelo vidro
gestos adormecidos

forjadas sem fio
as manhãs em que os vizinhos morrem
parecem iguais
seguir o tráfego obtuso
brisas mórbidas de café
conchas violáceas que reportam o mar
tecido rasgado da infância
cães e plumas sem nome, esquecidos
na carne falida dos miolos


Douglas König de Oliveira

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Repetições

Ela sempre fora muito alegre e cativante. Simpática, além de bela, não havia quem não a desejasse. Ela, encantada com todos os galanteios, só lamentava as cantadas grosseiras e fúteis. O mundo era de arco-íris para ela. Porém, havia um problema, grande. Ela era ingênua.

Casou-se a primeira vez, ainda nova, quando se entregou totalmente àquele que lhe parecia o príncipe encantado. Beijou o príncipe mil vezes, e cada beijo parecia transformá-lo. Um dia o príncipe acordou sapo. Foi custoso, mas resolveu deixa-lo, encantada que estava por outro, este sim sua cara metade. Passada a dor da separação, ainda que a separação fosse caso de vida ou morte, vieram os momentos de alegria. Até que... A sua outra metade roubava-lhe a metade que ela era, seria, não era. Sentiu-se exaurida. O encanto a fez cair nos braços de outro.

O outro era tudo, trabalhador, sério, respeitava-a, até a deixava trabalhar fora, mas nada que comprometesse o serviço da casa. Ah! Os outros dois não permitiram que ela saísse, mesmo para passear. Agora, uma evolução e tanto. O tempo, parecendo sempre ingrato, tratou de mostrar o mundo. A liberdade condicionada roubava-lhe a vitalidade. O outro parecia um vampiro. A separação novamente, ele achando que dera muita liberdade para ela, ela se achando uma total fracassada.

O tempo passou num vazio. Nada mais parecia interessá-la. Foi quando ela percebeu algo novo, algo que poderia mudar a sua vida. E aí estava uma das grandes ingenuidades dela, acreditar que alguém poderia mudar a sua vida. Foram tempos difíceis, de muitas dúvidas, mas numa esperança que se avolumava. Era ele quem ela tanto procurava. Agora sim seria feliz. E aí estava outra, acreditar que alguém poderia fazê-la feliz.

O casamento foi comemorado com grande alegria. Muitas pessoas, “agora vai!”, e tudo o mais. No dia seguinte, ao acordar, ela virou para o lado, e não reconheceu quem ali estava.

P.S.: Pra dizer o que eu penso das eleições nos EUA. Torço para estar enganado.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

o mundo em seu destino, e eu aqui, causando o caos

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sábado, 18 de outubro de 2008

Fuga


Estava exausto! A perseguição fora implacável. Agora, temeroso de que o encontrassem novamente, ficava imóvel atrás dum muro, dum jardim de alguém que ele não conhecia. O cheiro exalado pelas plantas não era mais forte que o seu, de suor. Barulho e vozes ali e acolá, e ele tentando imaginar onde havia errado. Tão atordoado estava, confundia-se, tentando adivinhar se aquilo tudo era real. Parecia um filme. Seus olhos pesavam insistentemente. Percebeu que não suportaria mais tudo aquilo. Desligou o computador e foi dormir.
M

domingo, 5 de outubro de 2008

vocalizes nocivos

uma tecitura
n oitavas
na face gritante o esforço
gestos de impulso, olhos crispados
a boca em seu auge
o som? o da minha garganta sendo destruída

sábado, 4 de outubro de 2008

Sorte!


Hoje saí de casa
Pra jogar na loteria.
Perdi muito dinheiro.
m

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Plástico



Do pote da cozinha
do mais fundo vazio do pote
de lá e para lá são todos os reclames
depositados sem propósito
dos passantes sem cabeça
dos edênicos de fé que buscam
a partir de um recheio qualquer
em dedos ansiosos calejados nas beiradas
um não saber o quê extraordinário
duma fuga de um outro vazio.


Tássia Búrigo

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Carência

Desceu a rua despreocupadamente. Antes, talvez, estivesse distraído. Se perguntassem, não saberia dizer o que pensava naquele momento. Seguia. Talvez estivesse anestesiado por tudo o que ocorrera na véspera. Anos vivera dum jeito que não o deixava contente. "Felicidade?", perguntavam, perguntava respondendo. Não, não acreditava que a tal da felicidade pudesse existir. "Bobagem!"

Adiante viu um casal de namorados, tão próximos, colados, parecendo um só. "Um só..." Era isto que lhe haviam ensinado, ser um só com o seu par. E lhe falaram em mulher ideal, em cara metade, em alma gêmea, e se esqueceram de falar da solidão. Ninguém nunca lhe havia falado em solidão. Era assunto proibido. Parecia mesmo que a tal solidão não existia. E existia!

O casal apaixonado o fez sentir-se carente. "Carência!", quase falou alto, mas conteve-se. Era isso, então. Por causa da carência, do medo da solidão, havia se submetido a uma relação que não poderia continuar. Esquecera-se de viver a sua própria vida. Vivera a vida de outro alguém, mas que também não era a vida desse alguém, a não ser uma suposição, um achar que "era pra ser assim", pois assim lhe haviam ensinado.

O casal apaixonado agora discutia. "Mas o que diabos há com eles?" Ele também já fizera isso. Ah, a vida! Tão contraditória, tão cheia de medos. O que o deixava aliviado, é que agora se sentia livre, e achava que ela devia estar pensando o mesmo. Se não, um dia pensaria.
m

Dois

Dois. O olhar pousou agitado diante do número. Mordiscou os lábios, frenezi, medo, angústia.. o que mais? Dois. Acendeu um cigarro na esperança vã de acalmar-se. Mas calma alguma o traria de volta daquele suplício. Dois. O número girava-lhe na retina, como calendoscópio. O estômago doeu forte, como se tivesse levado uma facada, como se estrebuxasse ali no meio do corredor do hotel. A porta, marrom, maciça, sem detalhe de importância, parada imóvel diante dele. Do outro lado um certo barulho, risadas, ritmos... acendeu outro cigarro.. do nervoso deixou-o cair no carpete vermelho. O suor também caiu pelas temporas. Vontade de esfaquear agora sentia. De enfiar a mão inteira pelas vísceras arrancando-as com os dedos curvados em garra. Sentia as mãos enrubecendo-se do sangue imaginado. Já não era nervoso o que sentia, mas um ódio delicioso e quente de quem deseja matar alguém. O ódio dos assassinos sem culpa. De repente, o dois, feito de metal bronzeado, parou diante dos olhos, fixos, tesos, orgulhosos olhos. Abriu a porta e.....




Um pequeno e breve exercício de escrita.... silv!

domingo, 14 de setembro de 2008

a r e u n i ã o



Nem o sol estendia suas abas flamejando o escuro e já haviam seis ou sete deles ali. Os portões de metal unidos por uma corrente de aço e selados por um cadeado. um vulto humano de capacete amarelado que se aproxima. uma chave não brilha em sua cinta e ele pára em frente ao portão. pequenos sons internos de desespero em meio ao silêncio: um desespero imaginário. o semicírculo de fogo projeta os corpos, o muro imenso, as construções e suas escadas, as chaminés e a sujeira que quase dilui o ar. um ruído grave e contínuo buzina a hora. Barulho de chave, olhos atentos. Os portões são abertos e as pessoas disparam.


adentram a sala


A sala é escura, barulho de água por todos os lados (os pingos, são sempre os pingos e seu barulho que nenhum deles consegue suportar mais, a sala cheia de água podre, corrimento de canos podres), a água cobrindo meio centímetro de altura; um cabideiro de quatro lugares para casacos e chapéus, quatro cadeiras, três pretas, uma vermelha.


Ele chega sério, como sempre. Como sempre,coloca seu chapéu e casaco no cabideiro, senta-se, cumprimenta à todos os membros, primeiro o da direita, depois, o da esquerda com apertos de mão. O outro recebe um aceno. Um, atrasado, está de pé. coloque suas tralhas aí. as mãos tremendo, obedece a ordem dEle sem qualquer hesitação e deposita o casaco e o chapéu no chão. A estrela era por detrás das paredes, não que algum deles pudesse ver ou se interessar no momento. apenas parecia um pensamento assim o silêncio momentâneo.


Marco Aurélio Castro Rodrigues

sábado, 13 de setembro de 2008

passeios



talvez esse momento não exista e não possamos acreditar esperar confiar no dia em que o pensamento será ação isso porque não são os dias e sim pessoas dito assim desse jeito não parece um raciocínio muito difícil e isso porque não é o pensamento está formulado embora a ação não nem pra uns não nem pra outros mas apenas o que precisamos discutir não precisamos e o que precisamos não discutir é uma mancha escondida atrás do armário




as luzes estão apagadas frio chuva o barulho nas escadas o silêncio nada mudo dos outros aposentos barulho das coisas ligadas o barulho dos meus dedos digitando algo que narrativa poema ficção mas que sem nenhum motivo carta manifesto confissão apenas revelam minha inquietude a insanidade que me perturba o meu enjôo o meu peso ou ainda o apenas peso os olhos não sabem o que procurar o corpo está deslocado sem senso de direção enquanto a mente povoada de seres que não (re)conhece concentra-se no nada mais uma vez para nada dizer mas sem saber se para ficar silêncio


Marco Aurélio Castro Rodrigues


adaptação do texto série:passeios
publicado originalmente no site http://soseformais.blogspot.com

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

porta retrato



São inúmeras tendas saindo do vértice da lâmpada. O cone baço é orientado pelo filamento de um coração elétrico, enquanto no escuro entre eles ninguém transita. Dos outros distingo a silhueta e algo que o vento traz de uma tenda a outra, quando é favorável. Toda tarde recebo meu almoço nú, sem o qual anoiteço. Quando a vista arde desvio para longe, para nada. Não estamos sós porque não esperamos ninguém.
Conheço o velho do poste ao lado, que me manda cartas sobre sua vida. Diz que seu casamento é uma lata de sardinhas pornográfica. Já vivi isso também. Sorrio pelo que diz, mas de onde está minha figura não muda. A mulher fez um vestido com folhas de calendário, e guardou os janeiros para o chapéu. Não diz muito, não sei o motivo. Mandou-me pela corrente um retrato de santo, de suas folhinhas de mês. Creio mais nos dias que no santo, mas guardo comigo.
Algumas vezes toca um samba, feito de sirenes, que vem de uma luz distante como memória. É quando a mulher do vestido dança. O velho tenta acompanha-la, desajeitado. Naquele último dia foi quando nos divertimos. Nos outros fomos silêncios acompanhados.
Vemos as faíscas de gente que sobe nos postes, e desdenhando a lição dos pássaros, se incandesce entre os fios. Já bati o crânio também, mas apenas para trocar de dor. Nada acontecia demais, colhíamos das horas a rotina. Mas daquela vez a luz se apagou, depois a paz do lugar. Corríamos como cegos para abraçar alguém.


Douglas König de Oliveira

terça-feira, 9 de setembro de 2008

duas faces



No meio da ponte na cidade azul
a lua resplande no Rio Tubarão
e de lá recolhe
o pouco do tudo pra continuar
cheia de encantamentos
abre todo seu brilho
corre o verde rio
e vai se perder na usina.


Vem às dez da noite o pequeno vagão
as luzes acesas nos trilhos
um ritmo vago
de um tempo perdido de ferro e carvão
corta a cidade
pelo seu coração
segue seu rio
seguido do som da buzina.


Marco Aurélio Castro Rodrigues


postado originalmente no http://soseformais.blogspot.com